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Barefoot é pura ciência

Barefoot é pura ciência

Barefoot é pura ciência

O verão brasileiro é único. Como diria o compositor Jorge Ben Jor, “moro em um país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza”. Durante três meses, os treinos nas praias, nos calçadões e nas academias ganham diferentes adeptos. Atualmente, muitos deles aderiram ao movimento barefoot e já treinam descalços.

Já sabemos que os treinos com o pé no chão de forma natural são bons. Porém, o que diz a ciência sobre o assunto?

Primeiro, devemos começar quebrando certos mitos a respeito do andar descalço. Desde muito jovem, ouvimos certas convenções sociais sobre os porquês de não podermos andar sem chinelos ou tênis, seja durante as atividades físicas ou quando estamos em casa.

No senso comum, você escuta diferentes percepções. Por exemplo, há quem acredite que treinar descalço não faz bem porque não há um sistema de amortecimento. Outros, defendem que andar sem nenhum chinelo ou tênis causa resfriados.

Em comum, nada disso é verdade.

O calçado nasceu com o objetivo de proteger os pés. Ou seja, ele não corrige um “defeito” na nossa base, mas sim evita que haja ferimentos, bolhas por causa da temperatura do solo ou outros incômodos a depender do terreno.

Com o passar do tempo, o imaginário fez com que os tênis ganhassem mais importância do que realmente deveriam. Deste modo, houve uma mudança. Os calçados passaram a ter amortecimento artificial e toe box menores, espremendo os dedos dos pés.

Felizmente, a tecnologia permitiu que as pessoas pesquisassem e encontrassem novas fontes de informação. Justamente isso fez com que o movimento barefoot saísse dos Estados Unidos e chegasse a outros países, como o Brasil.

Hoje, a ciência explica que, quando fazemos um exercício descalço, ativamos a musculatura da base do pé e refinamos os receptores atrelados à coordenação dos pés. Deste modo, os pés ficam mais fortes e também mais equilibrados.

O estudo "Daily activity in minimal footwear increases foot strength", publicado na Scientific Reports e editado por Rory Curtis, Catherine Willems, Paolo Paoletti e Kristiaan D’Août, destacou que os pés ganham 60% a mais de força após uma rotina de barefoot.

É importante destacar que pés fortes são sinônimo de saúde. Na prática, a melhora do barefoot torna o amortecimento natural mais eficiente. Com isso, evita-se uma fragilidade dos pés e, consequentemente, lesões.

Ainda em 2010, o biólogo evolutivo de Harvard, Daniel Lieberman, criou um estudo e concluiu que fazer corridas descalço ou com tênis barefoot protegem mais os pés. Isso acontece porque a falta do amortecimento mais espesso dos tênis convencionais não está lá para forçar mais o calcanhar junto ao solo.

Porém, por ser um movimento relativamente recente quando comparado com as longas décadas que apenas os tênis apertados estavam disponíveis, os cientistas ainda procuram entender todas as mudanças mais precisamente.

Ainda assim, os preparadores físicos, os fisioterapeutas e as próprias pessoas que treinam descalço já atestam: ter os pés livres é bom demais!

 

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